Especialistas ouvidos pela CNN destacam que as taxas de juros mais elevadas podem desencorajar o consumo e, consequentemente, estagnar a economia. Atualmente, a taxa básica de juros, conhecida como Selic, está em 13,75% ao ano, o patamar mais alto desde 2016. As atenções agora se voltam para a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central (BC), agendada para os dias 21 e 22 deste mês.
Ramon Coser, especialista da Valor Investimentos, explica que a atual taxa de juros resulta em encarecimento do financiamento de itens como carros, imóveis, eletrodomésticos e eletrônicos, que são bastante comuns no Brasil. Isso ocorre porque o crédito se torna mais caro, desestimulando as compras.

Patrícia Krause, economista-chefe para a América Latina da Coface, destaca que os dados de confiança do consumidor apresentaram queda no último mês. Ela salienta que, mesmo com a Selic estável, a taxa média de juros do sistema bancário continua aumentando, devido a uma piora nos indicadores de inadimplência e uma percepção maior de risco. Isso afeta as famílias, que já estão endividadas, reduzindo tanto o consumo quanto a propensão ao consumo.
Em relação à inadimplência, um estudo inédito da Serasa Experian revelou que, em cinco anos, o número de brasileiros inadimplentes aumentou de 59,3 milhões em janeiro de 2018 para 70,1 milhões em janeiro de 2023, marcando um recorde na série histórica. O valor médio das dívidas também cresceu, passando de R$ 3.926,40 em janeiro de 2018 para R$ 4.612,30 em janeiro de 2023, representando um aumento de 19% no período.
Krause destaca que o congelamento da economia se deve ao encarecimento do crédito e à menor demanda por bens dependentes dele. Além disso, os investimentos se tornam mais custosos, o que inibe novos investimentos devido ao aumento dos custos.

Uma das estratégias que o novo governo planeja adotar para influenciar as próximas decisões do Copom é a reforma tributária e uma nova regra fiscal que será apresentada pelo Ministério da Fazenda. Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), defendeu que a reforma tributária, aliada à nova ancoragem fiscal, ajudará a reduzir as taxas de juros, o que é extremamente necessário, e contribuirá para aumentar as exportações, reduzindo o acúmulo de crédito.
Alckmin ressaltou que a inflação não é de demanda e que uma taxa tão alta não faz sentido. Ele comentou também sobre as críticas do presidente Lula à taxa Selic de 13,75% e à gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central.
